Dunga encontra em Luís Fabiano seu ’salvador’ na seleção
November 21, 08 por Anthony
Foi assim em três ocasiões: contra o Uruguai, em 2007, no Morumbi; o Chile, em setembro, em Santiago; e a seleção de Portugal, na última quarta-feira, em Brasília. Luís Fabiano, porém, dispensa o rótulo de `salvador de Dunga’.
“Eu não, rapaz”, rebateu, após dar show contra a equipe lusitana: marcou três gols no convincente triunfo brasileiro por 6 a 2, e saiu aplaudido do Estádio Bezerrão, no Gama.
Roubou a cena num amistoso exaltado pelo duelo entre os craques Kaká e Cristiano Ronaldo. Ao olhar para trás, no entanto, Luís Fabiano sabe o quanto esperou e batalhou para voltar à seleção. Aguardou três anos (desde a Copa América de 2004) para ver seu nome novamente na lista de convocação.
E a oportunidade veio em novembro de 2007, por causa da contusão do desconhecido Afonso Alves, na ocasião atacante do Heerenveen (da Holanda). Até então, Dunga havia testado também Vágner Love e Jô, sem sucesso. A bola da vez era Luís Fabiano. Ele passou em branco contra o Peru, em Lima, pelas Eliminatórias, mas tinha uma justificativa na ponta da língua: entrou somente no segundo tempo.
Mas o melhor estava reservado para ele. Fez dois gols na vitória do Brasil sobre o Uruguai, por 2 a 1, no Morumbi, e deixou Dunga aliviado. Passados dez meses, a seleção não havia deslanchado nas Eliminatórias e o treinador se viu muito pressionado. A ponto de o torcedor cravar: se a seleção perder para o Chile, em Santiago, o técnico será demitido.
Como um super-herói, Luís Fabiano entrou em ação, marcou dois gols e o Brasil venceu por 3 a 0. Dunga ganhou sobrevida. Por um curto período. Uma onda de boatos atingiu a seleção nos últimos dias. Especulava-se que Muricy Ramalho, do São Paulo, seria anunciado em dezembro como o novo comandante da equipe.
Amistoso do Brasil em Brasília e o final todos já sabem. Dunga, enfim, achou o dono da camisa 9, posição carente desde a saída de Ronaldo Fenômeno, após a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. O Fabuloso tem ótimo desempenho sob comando de Dunga na seleção principal: oito gols em 10 jogos.
“Ouço ainda que a vaga no ataque da seleção está aberta”, declarou, demonstrando irritação. Com humildade, ele teceu elogios a Ronaldo, a quem evita comparações. Alega que cada um tem seu estilo. “Ele foi um fenômeno, o maior de todos”.
Luís Fabiano define-se hoje como uma pessoa serena, tranqüila. Não era assim tempos atrás. Em 2003, no Morumbi, então pelo São Paulo, deu uma “voadora” em um atleta do River Plate. No começo do ano passado, trocou socos com um lateral do Zaragoza durante jogo do Sevilla pelo Campeonato Espanhol. Agora, só quer brigar pela artilharia. Para sorte de Dunga.
Fonte: Estadao